Gravidez após infertilidade

Coisas que eu aprendi sobre a gravidez após a infertilidade

Depois de uma longa caminhada por trilhos difíceis de infertilidade, como é que é realmente quando finalmente sabemos que temos e sentimos um bebé a crescer dentro de nós?

Durante os longos tratamentos nunca tive a chance de ficar grávida, mas assim que consegui, aquele medo terrível de perder tudo de um momento para o outro invade-me constantemente, e acho que até a nossa Vi nascer vai ser assim.

Apesar de a gravidez ter vindo a correr bem na sua generalidade durante o primeiro e segundo trimestre, alguns acontecimentos têm intensificado este medo assim que entramos o terceiro trimestre. Tudo isso primeiro devido ao diagnóstico de risco alto para trombofilias e depois com a chegada dos diabetes gestacional, sendo necessário recorrer a insulina. O medo de que a saúde da nossa bebé seja posta em risco é avassalador, pois 2/3 do açúcar da mãe vão para a bebé, e essa dose extra de glicose sobrecarrega o pâncreas da criança que terá de produzir mais insulina. E a insulina além de processar o açúcar no sangue do bebé, é uma hormona analógica, ou seja, promove o crescimento de alguns órgãos e tecidos, interferindo directamente no desenvolvimento da bebé, podendo crescer em demasia e nascer com tamanho acima da média, trazendo também graves complicações para o parto. Mas apesar destes problemas, e do peso ligeiramente acima do normal, a nossa Vi tem estado bem, tem  mexido bastante e os seus sinais vitais têm-se verificado excelentes.

Mas nada altera este medo. Às vezes acho que sofro de “infertilidade PSPT” (PSPT  – Perturbação de Stress Pós-Traumático).

Algumas coisas que aprendi nesta caminhada:

Na sombra da infertilidade, é fácil idealizar como serão as coisas assim que o teste mostra o tão esperado positivo. Mas a verdade é que após a felicidade extrema da notícia da gravidez, uma nova bagagem de preocupações assola-nos, especialmente quando não nos conseguimos livrar da “paranóia” e preocupação que acompanhou   todo o processo de infertilidade. Do género: “Será que é desta que a transferência de embrião vai resultar?” passando a “Será encontrado batimento cardíaco na primeira ecografia? E na próxima? e na outra a seguir?”, ou “Como serão os resultados do rastreio do primeiro trimestre?”, “E o do segundo trimestre? Estarei a gerar um bebé saudável?”, “Está a mexer? A bebé está muito calma hoje. Estará tudo bem?” Basicamente com a aproximação de cada consulta e ecografia, sustenho a minha respiração até finalmente conseguir ouvir o coraçãozinho e ver a princesa a mexer!

  • O inicial constante adiar da partilha desta alegria com a família e o mundo.

Um outro lado negro da infertilidade é que a maior parte das pessoas/ casais que passam por isso, passa por uma fase do tipo “social media detox”  para evitar por exemplo os anúncios constante de gravidezes, nascimentos, crescimento dos filhos, e outro tipo de situações que lembram que eu e nós somos uma das que “não têm filhos”. Lembro-me perfeitamente de “esconder” ou evitar notificações de amigas e colegas no FB por estas mesmas razões, pois em alguns casos era mesmo muito doloroso. Actualmente, eu tenho a plena consciência do que algumas pessoas possam sentir quando vêm as minhas fotografias e posts no mural.

Mas também porque no inicio é bastante estranho dizer as palavras “estou grávida”.  Além disso o receio de dizer “estou grávida” em voz alta, poderia trazer má sorte. Sei lá, superstições. Mas agora, apesar de uma jornada um tanto atribulada, passadas as 30 semanas de gravidez, mostro a minha barriguinha com muito amor e orgulho, não me importando minimamente com os quilinhos a mais.

  • A irmandade da infertilidade.

Quando nos encontrávamos a passar pelos diversos tratamentos de infertilidade (1, 2, 3 e 4 transferências de embrião sem sucesso), eu dizia ao meu marido com alguma frequência, que mal esperava para deixar todo aquele processo para trás das costas, mas que também nunca iria esquecer a luta diária que era (e é) para conseguirmos finalmente realizar o sonho de ser pais. E continuo a ver muita verdade nas minha palavras. Mesmo atingindo o objectivo de conseguir finalmente engravidar, e claro poder dar a luz a minha princesa desejada, eu continuo a sentir-me ligada à comunidade que luta diariamente contra a infertilidade, e o meu coração dói a cada tratamento mal sucedido, teste negativo, aborto ou outro problema que adie a jornada de cada casal.

  • A gratidão e felicidade que sinto são avassaladoras.

Quando passamos anos desesperadamente a tentar algo com todo o nosso ser,  sentimos que um milagre aconteceu quando finalmente se torna real. Claro que temos dias menos fáceis, e eu por vezes prefiro pensar em ainda não dar isto como garantido.  Mas obviamente mal posso esperar para conhecer a minha princesa, este pequeno e frágil ser que cresce dentro de mim, e que de certa forma encontrou o seu caminho até mim e ao seu papá após tantas tentativas, durante as quais conseguir engravidar parecia ser quase impossível.

E tenho a certeza de que não haverá momento mais doce do que quando finalmente ouvir aquela palavra mágica pela primeira vez: “Mãe.”

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