Quando voltar a tentar?

Aquando da primeira ICSI (em Agosto passado), estava assustada, com medo, mas a vontade de tentar e querer muito superava o terror de ficar parada. O meu marido sempre com uma paciência infinita e muito mais tranquilo do que eu, apoiou-me incondicionalmente em consulta após consulta.

Correu tudo bem, excepto o resultado que foi negativo. A fase das injecções foi facílima e nada dolorosa, ainda que para aplicar a 1ª injeção tenha precisado de meia hora com a “caneta/seringa” na mão, a olhar fixamente para a barriga, sem conseguir espetar a agulha e quando o consegui, depois do marido insistir para ser ele a fazê-lo, de o mandar embora uma série de vezes e de o ter chamado outras tantas, lá consegui e ri-me do tempo que passei a pensar que não iria conseguir. Fiquei muito orgulhosa. A punção correu bem, apesar de receber doses pequenas de morfina, senti algum desconforto. Retiraram 9 ovócitos. No dia da transferência de manhã cedo ligaram a dizer que tinham fertilizado 5 e após o almoço iriamos transferir 1.  Recebemos mais tarde informação de que os outros 4 não se aguentaram para serem criopreservados.

Transferido o tesourinho lá fomos nós para casa, com o embrião perfeito dentro da minha barriga, sem saber muito bem o que fazer. É estranho, muito estranho. Apesar de saber que ainda era cedo e teriamos de aguaradr pelo teste, sentia-me grávida. Aquele tesourinho era tudo para nós.

Entre as ondas de optimismo e confiança e as de pessimismo e derrota o tempo lá foi passando. Tudo passa. Tirei duas semana de férias e não saí de casa durante os primeiros 3 dias, entre cama e sofá, os dias passaram devagar, sendo que a médica disse-me sempre que não precisava de fazer repouso, apenas deveria ter cuidado e não fazer grandes esforços. Mas eu não fui capaz e suspendi a vida durante essas duas semanas. Se calhar não o devia ter feito. Não voltarei a fazer dessa maneira na próxima tentativa.

E agora? Quando voltar a tentar?

A melhor resposta é “quando nos sentirmos preparados”. Mas será mesmo que estamos preparados para voltar a passar por todo este processo? E inevitavelmente o pensamento de que poderemos voltar a ter um negativo assalta o coração. Estaremos preparados, se for o caso, para outro negativo?  Eu sei, eu sei, nada de negativismos, mas por vezes é inevitável.

Temos a confirmação da equipa médica de que podemos iniciar quando quisermos. Ou seja, quando quisermos voltar a tentar, para os informar do inicio do ciclo correspondente ao tratamento. Mas volta a questão, estaremos preparados? Tentaremos mais uma vez antes do final do ano e acreditar que teremos um belo presente do menino Jesus?

Quero acreditar, mas tenho medo da derrota de um negativo. Penso nas estatísticas que estão contra nós. Penso que isto tudo é uma ilusão. Penso que gostava de ser uma mulher mais forte, corajosa, cheia de certezas e optimismo e fé. Penso que sou uma maricas.

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2 pensamentos sobre “Quando voltar a tentar?

  1. Mas não és, por mais que te sintas uma maricas, és uma pessoa como qualquer outra, com receios, medos e incertezas. Por mais incómodos que sejam, esses sentimentos fazem parte da nossa vida, sempre farão e quem diz não os sentir, mente! Quem não tem medo é quem nada tem a perder, e todos temos algo que receamos perder, nem que seja, deixar de não ter medo…
    Quando voltar a tentar não te sei responder, mas acredito que saberás quando o momento chegar, assim como soubeste da primeira vez! Até lá, não empurres os dias, vive os dias!

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